Instituto COCRIE 3 min de leitura
A pergunta vem antes da ferramenta
É comum uma iniciativa começar pela tecnologia. Alguém conhece uma plataforma, um modelo de inteligência artificial ou um aplicativo e, a partir dali, procura um problema social em que aquilo caiba. O resultado costuma ser uma solução elegante para uma dificuldade que ninguém tinha.
O caminho inverso dá mais trabalho e funciona melhor: entender o problema com quem o vive e só então perguntar se alguma tecnologia ajuda. Às vezes a resposta é que não ajuda, e a decisão certa é não construir nada.
Problema primeiro, ferramenta depois
Antes da primeira linha de código, quatro perguntas precisam de resposta. Nenhuma delas é técnica.
- Quem tem o problema, e essa pessoa participou da conversa em que ele foi definido?
- O que ela faz hoje para contornar o problema, e por que isso não basta?
- Que mudança concreta a solução promete, e como saberemos que ela aconteceu?
- Quem mantém a solução no ar quando o projeto terminar, e com que recurso?
A quarta pergunta derruba mais projetos do que as outras três somadas. Sistema sem dono depois da entrega é despesa transferida para quem já não tinha recurso.
O que a tecnologia não resolve
Tecnologia acelera processo, organiza informação e reduz distância. Ela não cria vínculo, não substitui professor, não negocia com o poder público e não produz política pública.
Há também o custo que raramente aparece na proposta: todo sistema coleta dado de alguém. Num projeto social, esse alguém costuma ser uma pessoa em situação vulnerável, que aceita o cadastro porque precisa do serviço, e não porque leu a política de privacidade.





